Diários de solidões coletivas


24/07/2011


Mudança de endereço

Agora estou em novo endereço. Confiram:

http://diariosdesolidao.blogspot.com/

Escrito por Carlos Brunno S. Barbosa às 11h45
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23/07/2011


In memoriam

 

Amy Winehouse e o fiasco da hipocrisia pós-moderna


Hoje a maldição musical dos 27 anos fez mais uma vítima: Amy Winehouse se juntou ao grupo dos jovens rebeldes sem causa que definiram, como diz Carlos Drummond, “sua dis-solução”. Antes dela, Kurt Cobain, Jimi Hendrix, Jim Morrison, Janis Joplin, Brian Jones e tantos outros sucumbiram com a mesma idade de Amy, em momentos diferentes, mas com personalidades escandalosas e tendências suicidas bem próximas às da cantora inglesa.

Porém a desventura final de Amy Winehouse merece destaque por sua época: a cantora aprontou todas (drogas, prisões, etc) numa época em que os popstars fazem campanha por um mundo colorido em que as composições são feitas a base de guaraná e doces M&M’S. Amy sempre foi meio visceral , mostrando a farsa oculta por trás do admirável mundo novo careta construído com caras de pau e tintas de hipocrisia, e, ao destruir-se, desmoronou também com ela o universo perfeito e saudável inventado pelas mídias e ‘falsiedades’ pós-modernas. Sua imagem destrutiva, ‘persona non grata’ declarada pelos Estados Unidos da utopia, revelou mais uma vez o ambiente frágil do mito consumista; um ambiente hostil, rico em drogas pesadíssimas como crack e falsamente confortável para a juventude faminta por identidade num mundo que prega que, como nos lembram Humberto Gessinger e George Orwell, ‘somos todos iguais, uns mais iguais que os outros’.

Como diz a tradução de ‘Rehab’, composição da própria Winehouse, “Tentaram me mandar pra reabilitação / Eu disse "não, não, não" / É, eu estive meio caída, mas quando eu voltar / Vocês vão saber, saber, saber”. Adeus, Amy, durma bem e acordem, jovens, antes que outros os transformem em mais um defunto efêmero e vendável, num mundo onde se prega a loucura consumista e as ilusões sem fundamento, num mundo onde não há reabilitação.

 

A Amy Winehouse e tantos outros poetas malditos dedico o poema de minha autoria “Benditos sejam os malditos”, originalmente publicado no extinto jornal valenciano “Correio do Vale” e a ser republicado em um dos meus próximos livros-projetos, que eu singelamente intitulei como “Foda-se e outras palavras poéticas”:

 

Benditos sejam os malditos

 

“Alcançai para mim

A Hospedaria dos Jamais Iluminados”

Mário de Andrade, “Religião”

 

I

 

Benditos sejam aqueles que fazem luz na escuridão.

Benditos sejam aqueles que não gritam para serem ouvidos.

Benditos sejam os malditos que não têm ouvidos

para escutar os que mal lhe dizem.

Benditos sejam os loucos, os tortos, os perdidos

que seguem seus caminhos sem fins lucrativos

sem olhar para trás.

Benditos sejam os vivos que sobrevivem famintos,

aceitam os sacrifícios

e não se julgam Jesus.

Benditos sejam os incompreendidos

que compreendem os tolos que não aceitam as suas razões.

 

- Benditos sejam os malditos

que aceitam as suas maldições.

 

II


Vândalo Rimbaud que fez uma temporada no inferno,

amaldiçoadas sejam todas as flores do mal de Baudelaire

 

Escrito por Carlos Brunno S. Barbosa às 22h21
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21/07/2011


Escrito por Carlos Brunno S. Barbosa às 23h36
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Poema

Plano Média Zero

Professores pastam
Salários
Alunos relincham
Ideias
O Estado quer
Sangue nos livros

"Manchem todas as páginas
Sobre democracia"

A República quer reinar
Com o Plano
MÉDIA ZERO

"Exilem seus cérebros
Antes do voto
Burros não leem
Burros não falam
Apenas relincham
Apenas empacam
Mas neguemos o pasto
Pra que voltem a nos carregar"

Burguesia é
Nobreza
Presidente é
Vossa Majestade
Aluno é
Um selvagem
Uma anarquia manipulável
Pelo sistema monárquico de nossa República
E escola é
Como aula de química
Temos liberdade de escolha
Mas só na teoria.

Escrito por Carlos Brunno S. Barbosa às 23h28
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ARTITUDE

ARTITUDE*: Movimentos artístico-culturais

Ato público dos professores estaduais em greve em Valença

  Fim de tarde de quinta-feira, dia 20 de julho, Rua dos Mineiros, centro de Valença/RJ – O dia do amigo reuniu os companheiros professores estaduais em greve e artistas da região num ato público em protesto à falta de respeito dada à educação pelos nossos governantes. Enquanto ‘insensatos corações’ batem emocionados e alienam seu público novelístico com a utopia das mudanças de rumos em nossa (podre in infinito) política, segue mais um capítulo de protesto contra os descaminhos da política pública educacional; os amigos da educação (professores, comunidade, artistas) reunidos contra os inimigos públicos da conscientização (governadores, prefeitos, políticos, políticos, blergh, políticos). A luta continua, os ventos da mudanças sopram contra as cortinas de falácias do Estado (tão aristocrático e podre quanto os velhos estados novos de nossa História), ainda que a revolta pareça muda em matérias da corja midiática muito bem paga com propagandas governamentais.

Danilo Serafim do SEPE

 

Fael Campos e Zé Ricardo

 

Fael Campos e Zé Ricardo interpretam “Plano Média Zero”, poema de Carlos Brunno S. Barbosa

 

Professor Alexandre Fonseca

 

Professor Gilson Gabriel

 

Professor Sanger

 

 

*Nota: ARTITUDE, o nome dessa coluna, é inspirado num movimento poético proposto por minha ex-aluna Thainá Ramos.

Escrito por Carlos Brunno S. Barbosa às 23h27
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“Frágil futebol: em busca de arte nos gramados”

 

“Frágil futebol: em busca de arte nos gramados”

Venezuela x Paraguai: ao vencedor as batatas


 

Tarde de quinta-feira, o sol se estende sobre os campos vazios; está quente, o sol nem liga para os torcedores tristes. Em algum lugar dentro de nós, em alguma Venezuela que nos habita, sentimos a injustiça: após a histórica classificação para as semifinais da Copa América 2011, ontem, a seleção venezuelana (com uma campanha muito mais heróica que a de Brasil e Argentina, duas seleções cujas tradições futebolísticas há tempos lhes são inexistentes) descobre que os campos de futebol da Argentina não são apenas ruins em seu estado de preservação; os campos também destroem sonhos.

O time de Renny Vega, Oswaldo Vizcarrondo, Cichero, Rondón e Fedor, apesar da limitação técnica, buscou o gol durante todo o jogo, praticando em alguns momentos lampejos de futebol arte (que há tempos se ausenta nos pés de jogadores de nossa  seleção [nem tão ou mais europeia que] brasileira), contra uma seleção paraguaia deficiente em jogadas de ataque e campeã absoluta em retrancas covardes e antijogos violentos (o expulso meio campo Jonathan Santana é um ícone dessas jogadas peculiares na atual seleção finalista). De ofensivo no futebol paraguaio, somente as trocas de palavrões e agressividades de jogadores como Dario Verón (autor do último pênalti bem batido do Paraguai, por sinal, injustificadamente mantido até o final do jogo [sua atitude violenta com os jogadores venezuelanos foi digna de expulsão, apesar de interpretada pelo juiz como motivo apenas para mais um cartão amarelo na coleção do time de Gerardo Martino]).

Depois de um jogo regular em zero a zero, com poucos bons lances dos venezuelanos, depois de uma prorrogação em zero a zero, com muitos bons lances do time do técnico César Farias (a jogada de Cíchero, passando por quatro paraguaios, é de dar inveja a robinhos, neymares, gansos, patos e todo o zoológico futebolístico do time de Mano Menezes), a disputa dos pênaltis premiou o retranqueiro maior: vitória da seleção paraguaia do goleiro Villar (talvez, o único jogador brilhante do time atual do Paraguai). Importante registrar que a seleção venezuelana errou apenas uma das cobranças de pênaltis, fato inédito para os atuais cobradores da seleção brasileira, mais inspirados no método italiano Baggio de cobrança.

Final definida: não há mais poesia nos gramados, briga generalizada entre paraguaios e venezuelanos, algumas lágrimas para os fãs da república do adoecido Hugo Chávez, viva a retranca e covardia, deu Paraguai, adeus, Venezuela, o último verso de futebol arte morre nos olhos irados de Rondón, infeliz com a injusta desclassificação de seu time.


P.S.: Importante destacar também que o artigo que abre essa coluna “Frágil futebol: em busca de arte nos gramados” não é protagonizada pela nossa seleção brasileira (mais conhecida sintaticamente como sujeito indeterminado) e sim pelos sujeitos compostos da (cada vez mais grandiosa) seleção venezuelana.      


 

Escrito por Carlos Brunno S. Barbosa às 15h25
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20/07/2011


Pensamentos amigos: versos de outros eus que carrego comigo

Pensamentos amigos: versos de outros eus que carrego comigo

"O pra sempre não é um lugar tão longe."

(verso inicial do poema "Pra sempre", da poetamiga valenciana Elayne Amorim, acessível em http://www.culturaletc.blogspot.com/)

Escrito por Carlos Brunno S. Barbosa às 12h42
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LIVRES LEITURAS LÍRICAS

 

Livres leituras líricas:

Sobre o livro “O carteiro e o poeta”, de Antonio Skármeta

            O livro “O carteiro e o poeta”, cujo nome real é “Ardente paciência (O carteiro de Neruda)” – título original muito mais significante e poético que o da versão brasileira, mais comprometido com a comercialização da obra -, brindou meus olhos nestas minhas leituras de julho com metáforas de sonhos e pesadelos.

         A obra nos conta a trajetória de Mário Jimenez, jovem de 17 anos (ops! primeira diferença para a versão cinematográfica da obra: o personagem é muito mais novo que o apresentado no filme), que exerce, na Ilha Negra, a função de carteiro do poeta chileno Pablo Neruda. A narrativa, ambientada no agitado período político de 1969 a 1973 no Chile, nos mostra, em seu desenrolar, o surgimento de uma amizade e cumplicidade entre o carteiro e o poeta. Interessante perceber que a aproximação de personagens tão distintos se intensifica à medida que as propostas comunistas de Salvador Allende ganham força entre os eleitores chilenos – o ápice da amizade entre Mário e Neruda coincide com a chegada de Allende à presidência do Chile, assim como o trágico fim de ambos os personagens acontece logo após o assassinato de Allende (quem vier com aquela historinha de suicídio, contada por Pinochet, merece 100 anos de solidão e reclusão numa biblioteca pra deixar de ser otário e alienado) e o início do golpe militar dado pela direita chilena. O próprio título original da obra (“Ardente paciência”) traz relação com o contexto histórico e político do Chile; faz parte do discurso proferido por Pablo Neruda, quando este recebe o almejado Prêmio Nobel de Literatura: “só com ardente paciência conquistaremos a esplêndida cidade que dará luz, justiça e dignidade a todos os homens” (ops novamente! A versão cinematográfica de Michael Radford, bem dirigida – ponto positivo - e digna de Oscar – xiiii! -, não apresenta os laços História e ficção tão intensamente emaranhados – apesar de sutis, sendo arriscadamente invisíveis para leitores distraídos – pela narrativa lírica de Skármeta).

O discurso de Neruda, ao receber o Prêmio Nobel de Literatura, é poético e solidário, rico em metáforas e ideais socialistas, e assim é o conteúdo da obra de Skármeta: personagens ilustres e personagens comuns, independentemente de suas classes sociais, liberam metáforas - às vezes intencionais, às vezes ingênuas - em discursos diretos, entremeados pelo discurso onisciente de um narrador, que apresenta o universo de sua narrativa num tom ao mesmo tempo lírico e quixotesco. O protagonista Mário passa por profundas transformações durante a narrativa: inicia parvo e preguiçoso, desconhecedor de metáforas (apesar de usá-las inconscientemente), cresce como imitador dos poemas de Neruda (com os quais conquista sua musa Beatriz), depois ganha o status de poeta da Ilha, chegando a ousar expor seus poemas a concursos literários, até o seu desaparecimento e esquecimento, vítima do regime ditatorial chileno instalado em 1973. A trajetória do protagonista, a ascendência e queda das metáforas nos discursos diretos dos personagens, a mudança no tom do narrador (de irônico e lírico, para lírico, sensual, burlesco e sonhador, encerrando-se amargo e seco) coincidem com o processo político de democratização e ‘desmocratização’ da república chilena, do sonho ao pesadelo; a ardente paciência se apaga, mas ainda fervilha na obra e no café amargo tomado pelo narrador nos momentos finais da narrativa.

E assim escrevo essa livre leitura lírica: docemente encantado com a obra e amargamente preso ao teor das conversas finais do narrador: quando o Chile e nós teremos uma democratização real (e não do R$ Real, como os governos nos propõem)? Quando os carteiros poetas serão lembrados? Até quando a nossa ‘ardente paciência’ vai durar? Como o narrador do livro, por enquanto, tomo o café amargo.

 

Franco-Fragmento-Atirador:

 

“- De agora em diante se usa a cabeça só pra carregar o boné.”

(Discurso direto do personagem Mario, diante de um soldado, durante a ocupação do exército na Ilha Negra – in: SKÁRMETA, Antonio. “O Carteiro e o Poeta” [tradução de Beatriz Sidou], Rio de Janeiro: BestBolso, 2011, p. 108)

 

Escrito por Carlos Brunno S. Barbosa às 00h47
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19/07/2011


Um poema em homenagem à atraente e melancólica estação atual: o inverno. "Inverno Íntimo", poema inédito em livros solos, vencedor do III Concurso de Poesias do Grêmio Barramansense de Letras:

Inverno Íntimo

 

Entra, Senhor Inverno!

Bem-vindo ao meu iglu eterno!

Comemoremos os ventos intensos

do teu tempo, de nosso sereno momento.

Guardei tua taça gelada

No freezer de minhas emoções pálidas.

Oferto-te como aperitivos Engels, Marx, Che Guevara

e outras carnes abatidas, outras utopias acabadas

que mantive aqui à tua espera no meu congelador.

Enquanto nos revemos, o outono morto

leva as folhas caídas,

leva as esperanças perdidas

e leva minha vida, leva minha vida...

 

Tim-tim! Um brinde pra dor, meu Frio Senhor.

 

Não comemoremos a tua chegada, Inverno Íntimo,

pois nunca partiste.

Há em mim uma neve que insiste,

resiste – ah! neve insolente!

Talvez seja uma lágrima de sonho congelada,

um gelo ardente que não se apaga jamais.

Sim, Frígido Camarada,

existe um frio em mim que sempre te abraça,

uma Primavera negada que só ameaça

como flor que não desabrocha,

que já amanhece morta...

Já amanhece... Aurora Desolada...

 

Tim-tim! Um porre pra eternidade, Gelada Infelicidade!

Escrito por Carlos Brunno S. Barbosa às 10h20
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18/07/2011


Escrito por Carlos Brunno S. Barbosa às 21h36
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Conto de abertura de "Diários de solidão", sexto livro (o primeiro de contos) de Carlos Brunno S. Barbosa:

"Oh, mi'a senhor, por ti morro de amores, ajoelho-me como um cão patético, asmático, sentimentalmente epilético, enfim, apaixonado.
Não te mereço... Por isso sofro!
Mas também não posso deixar-te... Por isso canto p'ra ti, p'ra ti, mi'a senhor Solidão!" 

 


Escrito por Carlos Brunno S. Barbosa às 21h29
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Pra iniciar um poema recente, premiado no Concurso Literário da Academia de Letras de Maringá: 

 

Celeiro Dulcinéia

 

Evita meu celeiro, triste homem das vontades básicas,

Meus trigos não alimentam tua fome,

São grãos colhidos no solo do lirismo;

Vêm do mundo das ideias, da mente de um sonhador

Que protesta por alimentos reais

Mas só protesta, só, protesta, em vão, pois não te alimenta.

Evita esse meu arroz invisível, colhido na safra da solidão,

Pois minhas composições não enchem teu estômago vazio.

Meu depósito de alimentos não perecíveis é eterno

Mas impróprio para o consumo de teus olhos famintos;

Lamento, escravo senhor, os latifúndios continuam florindo cancerígenos

No solo da ambição desmedida dos homens que pisam em tua campina sem vida,

Enquanto meu armazém só contém produções aquém dos teus anseios.

Para teus desejos cereais, trago um galpão seco de comida,

Poemas, gigantes fingidos, nada mais que meros moinhos de vento...

Procura outro reino, Sancho Pança da realidade rocinante,

Pois este meu celeiro é de um fidalgo errante castigado de ilusão...

 

 

Escrito por Carlos Brunno S. Barbosa às 18h44
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Olá, caros leitores, bem vindos ao blog daqueles que guardam um sorriso solitário no canto dos lábios que versam sonhos coletivos. Bem vindos ao meu universo virtual poético, bem vindos ao mundo confuso e fictício ferido de imortal realidade. Bem vindos ao inóspito ambiente dos eus líricos em busca de identidade na multidão indiferente, bem vindos ao admirável verso novo.

Escrito por Carlos Brunno S. Barbosa às 18h20
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BRASIL, Sudeste, VALENCA, Homem, de 26 a 35 anos

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